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segunda-feira, 20 de maio de 2013

FOTOS IMPACTANTES: o registro dos semblantes de soldados britânicos antes, durante e depois do horror na guerra do Afeganistão

 

Ben-Frater

O soldado raso Ben Frater, 21 anos, antes, durante e depois do Afeganistão: as expressões não mentem (Fotos: Lalage Snow)

A ideia é brilhante, e o resultado emocionante e revelador: registrar, em closes faciais, imagens de soldados britânicos antes, durante e depois de seu serviço no Afeganistão.

Pode-se ver a tragédia, a dor e o horror que a guerra causa nos jovens — mesmo soldados profissionais, como são os britânicos, e não recrutas de um serviço militar obrigatório.

O projeto, batizado We Are The Not Dead (Tradução livre: “Somos os Não-Mortos”), é de autoria da fotógrafa, jornalista e cineasta Lalage Snow, nascida em 1981 em Belfast, Irlanda do Norte. Atualmente residente em Londres, ela trabalhou na iniciativa durante oito meses do ano passado, quando morou em Cabul, no Afeganistão.

Imagens que falam

Steven-Gibson

Outro soldado raso, Steven Gibson, 29, que retornou com as costas lesionadas após uma explosão. É impressionante como em poucos meses os soldados parecem envelhecer

Em março, ela clicou e entrevistou uma série de integrantes do Primeiro Batalhão do Regimento Real da Escócia em Edimburgo, enquanto se preparavam para embarcar; repetiu o procedimento no final de junho, em Nad Ali, distrito na província afegã de Helmand, sudoeste do Afeganistão, captando os rostos e as impressões dos soldados em plena ação no front; de volta à Escócia, esteve mais uma vez com os mesmos militares em outubro, já com suas missões finalizadas.

Imagens costumam ser mais eficientes do que palavras quando a intenção é ilustrar os efeitos de uma guerra em um ser humano. No caso da série fotográfica criada por Snow, não foi diferente.

David-McLean

O "lance corporal" (posto do Exércio britânico entre soldado de primeira classe e cabo) David McLean, 27, que recebeu tiro na perna

Reparem as expressões ainda relativamente serenas dos soldados antes de embarcarem, a adrenalina e a tensão de seus olhares durante a temporada afegã e o desolamento vazio, sem contar o aspecto mais envelhecido, dos semblantes pós-conflito. A maioria, entre outras barbaridades, presenciou atentados a bomba, e alguns retornaram à Escócia feridos.

Depoimentos reveladores

Mesmo assim, não apenas os retratos “falam” em We Are The Not Dead. A justaposição dos depoimentos de antes, durante e depois também são muito reveladoras.

Alexander-McBroom

O sargento Alexander McBroom, 24: "medo e apreensão"

Um dos combatentes, o sargento Alexander McBroom, por exemplo, diz em sua entrevista inicial: “não estou preocupado em ir, afinal é meu trabalho”.

Ao longo de sua estada no Afeganistão, porém, afirmaria: “experiência “abriu os meus olhos”. Após o retorno, mencionaria “o medo de sempre, a apreensão sobre o que acontecerá se eu for atingido por alguma bomba”.

Uma voz para os soldados

Steven-Anderson

O soldado raso Steven Anderson, 31

“Conforme a contagem de corpos dos militares britânicos crescia e as ramificações políticas da presença do Exército britânico no Afeganistão se complicavam, cada vez mais soldados sentiam que não tinham uma voz, ou que ao menos não estavam sendo ouvidos”, afirma Lalage Snow.

“O We Are The Not Dead é uma tentativa de dar a estes jovens homens e mulheres uma chance de falar”.

Confiram mais imagens:

Sean-Patterson

Outro soldado raso, Sean Patterson, 19

Mathew-Hogson

Mathew Hogson, 18, também soldado raso

Jo-Yavala

Jo Yavala, 28, idem

Chris-MacGregor

Chris MacGregor, 24, idem, ferido no joelho

http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/tema-livre/fotos-impactantes-o-registro-dos-semblantes-de-soldados-britanicos-antes-durante-e-depois-de-combaterem-no-afeganistao/



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